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A gestão ambiental de resíduos têxteis têm sido um dos maiores desafios enfrentados pelo setor. E não é para menos: o Brasil é o quarto maior parque produtivo do mundo, de acordo com os dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

No entanto, várias iniciativas criativas têm mostrado que não só essa gestão ambiental é viável, como pode ser muito lucrativa.

O descarte correto dos resíduos têxteis vai além da educação ambiental, transformando-se em renda extra para a própria indústria e também diferenciais perante um público cada vez mais exigente por soluções sustentáveis.

Mas afinal, o que são os resíduos têxteis?

Toda sobra de produção ou restos que parecem não terem mais utilidade são resíduos têxteis – que não só devem ser descartados adequadamente como podem, sim, ser reaproveitados.

A questão é tão séria que há, inclusive, uma lei que determina o máximo de reaproveitamento, reciclagem e minimização dos resíduos têxteis a Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A falta de gestão ambiental, portanto, seja por falta de informação ou pura negligência, pode ser responsabilizada criminalmente.

Por outro lado, a própria gestão ambiental dos resíduos têxteis traz vários benefícios para a indústria.

Um deles, por exemplo, é a geração de um desenvolvimento sustentável, identificando deficiências do processo produtivo que podem evitar custos desnecessários e desperdícios.

Da mesma forma, a coleta seletiva eficiente pode ajudar as indústrias têxteis a fazerem mais dinheiro.

Aparas e retalhos podem ser utilizados não só pela própria empresa, mas também em outras tipologias industriais, como a automobilística, fabricação de barbantes, mantas acústicas, produtos esportivos, artesanatos etc.

Apesar disso, a maioria acaba indo para o lixo comum, sobrecarregando os aterros sanitários.

De acordo com a Abit, estima-se que no mínimo sejam geradas 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano no país. O cálculo toma por base uma perda média de 10% do tecido no processo de corte para a confecção.

Desse total, ainda segundo a Associação, 40% são processados por empresas de reciclagem, mas a maioria, 60% (cerca de 100 mil toneladas) são descartados nos aterros sanitários.

Gestão ambiental deve fazer parte da cultura

A educação ambiental deve fazer parte da rotina das indústrias têxteis. Dados de 2016 da Inteligência de Mercado (Iemi) mostram que no mercado de vestuário brasileiro é o segundo maior empregador, atrás apenas da Indústria de Transformação.

No total, são mais de 23 mil indústrias gerando mais de 1,10 milhão de empregos diretos e cerca de 6 bilhões de peças produzidas.

Gestão ambiental deve fazer parte da cultura

Não fica difícil imaginar a quantidade de resíduos têxteis gerados. A gestão ambiental deve, portanto, atuar em diversas frentes. Uma delas é a adoção de medidas que reduzam a produção de retalhos.

Para isso, o primeiro passo é uma mudança de mentalidade. Cada retalho, na verdade, um dia foi comprado como matéria-prima, portanto aproveitá-los ao máximo possível é aumentar o retorno sobre investimento.

Essa redução do desperdício deve ser feita já no planejamento do corte, otimizando o aproveitamento dos tecidos e dos moldes. O ideal é que a perda não chegue a 10%.

Por outro lado, o reaproveitamento precisa ser bem planejado. Há vários tipos de resíduos têxteis que podem contaminar esses retalhos – aí sim tornando-os inúteis para o mercado comprador ou de difícil gestão ambiental. Separá-los e acondicioná-los da forma correta é fundamental.

Por fim, o próprio processo produtivo deve ser repensado de forma a abarcar novos produtos a partir desses retalhos.

Um exemplo de sucesso é o projeto Retrama, desenvolvido pela Fundação Hermann Hering, em Blumenau. Os resíduos têxteis da Hering que seriam jogados fora são transformados em bolsas, cachepôs, chaveiros, jogos americanos, aventais, vasos, etc. Os produtos são feitos de forma artesanal por costureiras aposentadas de cooperativas parceiras da Fundação.

Assim, retalhos tanto podem ser utilizados como detalhes dentro das novas coleções, para a confecção de outras peças ou ainda comercializados com ONGs de apoio a artesãos. Confira aqui mais detalhes sobre o Projeto Trama Afetiva, da Fundação Hermann Hering.

Indústrias têxteis dão bons exemplos de gestão ambiental

Ainda que sejam minoria, não faltam bons exemplos de gestão ambiental, assim como o da Hering. Veja alguns cases de sucesso.

Vicunha Têxtil: reaproveitamento de fios e orientação ao consumidor

A Vicunha Têxtil, por exemplo, segue um rigoroso Sistema de Gestão Ambiental (SGA) potencializando a utilização dos recursos naturais, reduzindo a geração de resíduos e garantindo o perfeito armazenamento e destinação responsáveis.

Para se ter uma ideia, a implantação de um de seus programas ambientais na unidade 1, produtora de índigo no Distrito Industrial de Maracanaú (CE), registrou um ganho médio de 890 mil metros de tecido ao ano.

Através de um processo otimizado, toneladas de fios que antes eram transformadas em estopa passaram a se tornar tecido de primeira qualidade.

Além de produtos alinhados com a proteção ambiental, os consumidores são também orientados a agir de forma sustentável. Todas as etiquetas dos produtos Vicunha, por exemplo, trazem instruções sobre o descarte correto dos resíduos têxteis.

Farm: upcycling com doação de retalhos para artesãs

A Farm está sempre falando sobre sustentabilidade com seus consumidores. No mês de aniversário as clientes VIP Adoro Farm recebem capas de almofadas feitas pelas artesãs do Toque de Mãos e produzidas com tecidos reaproveitados.

A solução de upcycling rende cerca de R$ 7 mil a mais para cada artesã. No total são 70 kg de retalhos doados mensalmente para o Toque de Mãos, da rede Asta. A parceria, que teve início em abril de 2018, já reaproveitou mais de 4 mil quilos de tecidos que iriam para o lixo.

No total a parceria abrange 28 grupos produtivos do Rio de Janeiro, que têm como compromisso retirar os sacos na data marcada, não utilizar os tecidos para a confecção de roupas e colocar a etiqueta da parceria em cada produto.

Altenburg: projeto Arte Social em parceria com a Prefeitura

Em Blumenau a fábrica de roupas de cama Altenburg criou o projeto Arte Social em parceria com a prefeitura local. Através da doação de retalhos para grupos produtivos assistidos pelo programa são confeccionadas almofadas com formatos de peixe, aplicações de fuxico e tirinhas de tecido.

O lucro com a venda é revertido para as comunidades carentes. Assim, 50% são destinados a entidades de Blumenau e os outros 50% às cidades em que os produtos são vendidos.

Brandili Têxtil: fios ecológicos a partir dos resíduos têxteis

A fabricante de roupas infantis Brandili tem cerca de 20 procedimentos e ações com foco na preservação ambiental e na redução do impacto no meio-ambiente. Uma das medidas é o reaproveitamento de resíduos têxteis para a fabricação de fios ecológicos.

O processo conta com empresas parceiras que colaboram para a transformação dos resíduos têxteis e garrafas PET em malhas de fios ecológicos. Como resultado, além da redução do impacto ambiental, houve geração de empregos para a fase de triagem e redução de cerca de R$ 15 mil mensais em custos com transporte e uso de aterros sanitários.

Hering: linha de produtos alternativos

A já citada Hering é um ótimo exemplo de boa gestão ambiental de resíduos têxteis e vai muito além da lojinha com produtos alternativos.

Em 2016 a Fundação Herman Hering criou o projeto Trama Afetiva, que orienta estudantes e profissionais para as práticas da chamada economia afetiva.

A primeira edição do projeto reuniu nomes como o de Alexandre Herchcovitch, parceiro da Haco, Marcelo Rosenbaum e Patrícia Centurion.

A experiência colaborativa que acontece sob a batuta do jornalista e diretor criativo Jackson Araujo gira em torno da reciclagem com foco em design, moda e empreendedorismo.

Na segunda edição, em 2018, o foco foi o reaproveitamento de malhas de algodão de estoques antigos e de resíduos têxteis gerados pela Cia. Hering.

Gestão ambiental deve fazer parte da cultura

Além de Alexandre Herchcovitch e Marcelo Rosenbaum, que repetiram a dobradinha, participou ainda a estilista Itiana Pasetti, co-fundadora da marca Revoada, que reutiliza câmaras de pneus e nylon de guarda-chuvas como matérias-primas para produzir bolsas, mochilas e carteiras.

No final de 2017 a Fundação Hermann Hering e a Trama Afetiva criaram uma startup de moda dentro da própria Hering para discutir a reutilização do resíduo têxtil.

Seis meses depois surgiu o projeto Folha, que lançou sua primeira coleção feita apenas com material já existente. Para os idealizadores, é um ganho duplo: mais geração de dinheiro e ganho de espaço.

Upcycling dentro do upcycling

Por outro lado, o setor de talharia da Hering repassa retalhos e sobras de tecidos tanto para os trameiros criarem novos produtos, quanto para as cooperativas parceiras que reproduzem os materiais desenvolvidos.

No entanto, essa mesma produção acaba gerando novos resíduos têxteis, micro sobras que já não têm possibilidade de uso. Entra em cena então uma nova parceria, dessa vez com a Eurofios.

A empresa recebe essas micro sobras, separa, seleciona e consegue reciclar ainda mais desfibrando tudo e criando novos fios. Hoje a empresa é a maior do Brasil na produção de barbantes ecológicos.

As cores, por sua vez, são sólidas e resultantes apenas da seleção dos resíduos têxteis, evitando a utilização de água e de tingimentos no processo de produção.

Gestão ambiental: menos desperdício, mais dinheiro, sustentabilidade e valor agregado

Qualquer investimento em gestão ambiental feita pelas indústrias têxteis está longe de ser um gasto, mas um ganho de diversas formas.

Havendo menos desperdício no corte e na modelagem, há a valorização da matéria-prima.

Dessa forma há redução dos resíduos têxteis, o que, por si só já gera redução nos gastos – com perdas, transporte e uso de aterros sanitários.

Gestão ambiental deve fazer parte da cultura

Assim é menor o impacto ambiental, mas também maior a economia da empresa.

Por outro lado, o reaproveitamento dos resíduos têxteis – seja em novos produtos, venda para outras empresas, ou doação para projetos sociais – gera renda que pode ser revestida em qualquer setor.

Ao se tornar um agente multiplicador de educação ambiental e atitudes sustentáveis, como através de informações de descarte responsável nas etiquetas, por exemplo, há geração de valor para o consumidor.

A gestão ambiental dos resíduos têxteis se torna um ciclo de benefícios praticamente inesgotáveis para as indústrias têxteis. Basta ter vontade.

Aproveite para conhecer as dicas de Alexandre Herchcovitch para agregar mais valor à sua coleção de moda e descubra como conquistar de vez seu público-alvo!